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Mesmo após o encerramento do prazo para que operadoras de apostas sem autorização retirassem seus sites e aplicativos do ar no Brasil, plataformas clandestinas continuam a se proliferar livremente no Telegram. Registros obtidos pela reportagem do portal Metrópoles mostram que canais do aplicativo veiculam diariamente ofertas de jogos eletrônicos como o popular “jogo do tigrinho”, promessas de saques sem taxas e extensas listas de links alternativos para burlar eventuais bloqueios.
Em apenas seis dos canais analisados, o contador exibe mais de 43 mil inscritos, número que pode conter sobreposições de usuários presentes em mais de uma comunidade.
A estrutura do Telegram favorece a rápida disseminação dos anúncios. Por meio dos canais (sem limite de membros) e grupos (que comportam até 200 mil pessoas), administradores conseguem atingir milhares de usuários simultaneamente com uma única postagem.
Adição involuntária de usuários
Muitos dos participantes foram inseridos nesses canais sem consentimento prévio. Relatos colhidos pelo Metrópoles indicam que pessoas que integravam grupos de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foram adicionadas sumariamente a canais de apostas com os quais nunca haviam tido contato. Uma das vítimas relatou ter sido incluída em mais de cinco comunidades do gênero em um único dia.
Uma vez adicionado, o usuário passa a receber uma enxurrada diária de anúncios repetitivos com novos domínios. Dos 87 endereços distintos contabilizados pela reportagem nos anúncios analisados, nenhum utilizava o sufixo oficial .bet.br, exigido pelo governo federal para identificar as operadoras regularizadas.
Em alguns casos, a estratégia dos administradores envolve orientar os membros a salvarem múltiplos endereços de acesso. O objetivo é garantir que o apostador continue acessando o serviço mesmo se determinados domínios forem derrubados pelas autoridades.
Falta de garantia e risco de calote
Diferentemente das empresas autorizadas que precisam certificar seus sistemas e obedecer a prazos rigorosos para liquidação de prêmios, os sites divulgados de forma clandestina no Telegram operam em um cenário de insegurança jurídica. Usuários que apostaram nessas plataformas relatam dificuldades para resgatar os saldos após as vitórias, além da impossibilidade de identificar os responsáveis legais pelas operações.
A desinformação também afeta marcas consolidadas. A empresa Zona de Jogo, que encerrou suas atividades no país, acionou o Ministério da Fazenda para denunciar o site clandestino Zonapostas, que usava o seu nome, identidade visual e dados regulatórios de forma indevida em um canal no Telegram.
Combate do governo federal
A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda informou que já providenciou o bloqueio de quatro sites vinculados à denúncia da Zona de Jogo e que mantém o monitoramento de outros domínios correlatos.
Segundo a pasta, mais de 47 mil sites de apostas irregulares foram bloqueados no país desde a edição da medida provisória que regulamentou o setor. O governo informou, ainda, que atua em conjunto com instituições financeiras para identificar os meios de pagamento utilizados pelas operações clandestinas e bloquear as contas bancárias associadas aos esquemas.
Com informações do Metrópoles