
Aos 25 anos de profissão, a professora e historiadora Jusilene Almeida, mais conhecida carinhosamente por seus alunos como “Tia Jú”, segue encantando e inspirando gerações com sua dedicação ao ensino e seu carisma singular. Com bordões como “Ô flecha!”, “Olhe a classe!” e “É benção!”, ela conquistou o coração de alunos e colegas, tornando-se referência não apenas em sala de aula, mas também como exemplo de humanidade e empatia.
A escolha pela docência, segundo ela, foi inconsciente, nascida da dor e da promessa de transformar. Seu pai, Geraldo, analfabeto, abandonou a escola após sofrer ameaças físicas da professora da época. O olhar triste ao relembrar essa história motivou Jusilene a ser para seus alunos tudo aquilo que aquela educadora não foi para seu pai.
Tia Jú iniciou sua carreira ainda durante a graduação, impulsionada pelo entusiasmo da juventude e pela necessidade de conciliar estudo e trabalho. Desde então, passou a vivenciar as complexidades da sala de aula, incluindo o que considera hoje o maior desafio: a falta de foco dos estudantes e a ausência de metas para o futuro.
Apesar de ainda não ter desenvolvido um projeto específico com seus alunos, ela alimenta sonhos que carrega como educadora e acredita que a educação precisa de uma revolução.
“Muito já avançamos, mas, seguindo o modelo atual, não estamos atingindo a todos”, avalia com sinceridade.
Sua maior alegria, no entanto, está nos reencontros com seus ex-alunos.
“Ver meus estudantes crescendo em graça e sabedoria é o que me motiva a continuar”, afirma emocionada.
Formada em História, Jusilene diz que estudar as humanidades é essencial para compreender a complexidade do ser humano um aprendizado constante em sua trajetória desde o ano 2000, quando iniciou oficialmente sua carreira docente.
Ela reconhece que teve grandes inspirações ao longo do caminho, como a professora Rita Oliveira, da zona rural de Florânia, e a historiadora e poetisa Divani Medeiros, de quem guarda ensinamentos preciosos.
Momentos especiais não faltam em sua jornada. Um dos mais marcantes foi um gesto simples de um aluno chamado Lucas Batista, que lhe entregou uma carta e um presente no Dia das Mães, em um período em que ela enfrentava a dor de uma perda gestacional.
“Foi um zelo divino que chegou até mim por meio daquele gesto”, recorda com ternura.
Ao longo dos anos, Jusilene aprendeu que não precisa ser extraordinária para fazer a diferença.
“Com constância e zelo, posso alcançar a excelência”, conclui, reafirmando seu compromisso diário com a educação e com o amor que escolheu dedicar à profissão.
Blog do Carlos Eduardo